Profissional precisa ser treinado para que Papanicolaou seja eficiente


Os dados são alarmantes. Por ano, somente no Brasil, quase 6.000 mulheres morrem por câncer de colo do útero e outros 16 mil casos novos são descobertos. Esta ai uma oportunidade para o Biomédico fazer a diferença!

A maneira mais usual de se rastrear a doença é por meio do clássico exame anatomopatológico Papanicolaou. Esse tipo de teste citológico vem sendo utilizado desde meados da década de 1940 e até hoje uma constante se evidencia: ele só é eficiente se for bem feito e bem analisado.
Quem dá essa informação é o diretor de Anatomia Patológica do A.C.Camargo Cancer Center, Dr. Fernando Augusto Soares, que credita esse problema a vários fatores, entre eles o treinamento, ou melhor, a falta dele. “A Fundação do Câncer estima que quase 70% dos exames de Papanicolaou colhidos são ineficientes. Principalmente pelo fato de serem tecnicamente mal colhidos e mal interpretados. Por isso a educação e o treinamento são imprescindíveis”, disse o patologista ao Portal LabNetwork.
O assunto foi bastante debatido recentemente durante a realização da XX Jornada de Patologia, com o foco na Ginecopatologia, que aconteceu na sede da instituição, em São Paulo. Especialistas de todo o mundo participaram do evento exatamente para trazer ao patologista brasileiro esse tipo de conhecimento.
Segundo constatação do Dr. Fernando, existe uma carência de patologistas no Brasil. “Hoje são apenas cerca de dois mil profissionais em exercício, o que é muito pouco. Há inclusive estados brasileiros sem patologistas. Pior, há hospitais de câncer que não têm patologistas”, enfatizou o médico. “Em câncer, o patologista é peça fundamental porque todo o tratamento é baseado no diagnóstico anatomopatológico que ele faz. Se não treinarmos especialmente os jovens, nunca iremos melhorar a condição do diagnóstico”, complementou.
A alta taxa de rejeição dos exames de Papanicolaou acontece por erros em toda a cadeia, desde quem colhe, até quem prepara a lâmina e quem lê. Cada um tem a sua parcela nesse processo. Para Fernando Soares, além da falta de treinamento de quem colhe, existe ainda a falta de infraestrutura de encaminhamento de material. “Há, portanto, toda uma cadeia de educação que precisa ser trabalhada. Se não houver treinamento adequado da enfermeira, do médico, ou mesmo de quem analisa o exame, haverá sempre um problema”, avaliou.

HPV e câncer 

A relação do papilomavírus humano – HPV com o câncer de colo de útero já está bem estabelecida. A Ciência já comprovou que sem a presença do HPV, o índice desse tipo de câncer é muito pequeno, em torno de 5%.
Em vista disso, qualquer método de diagnóstico para HPV é muito bem-vindo, segundo exalta o especialista. “Existe uma conta primária de custo-benefício. Não se olha a médio prazo. Eu mesmo comprovei uma vez para a prefeitura de uma cidade que fazer o Papanicolaou pelo método tradicional de esfregaço, onde naquela localidade havia um índice de insatisfatório altíssimo, era muito menos eficiente do que fazer o método de meio líquido, onde as células são postas em suspensão. A princípio é um método mais caro, mas quando se pensa no índice de repetição e de perda de paciente por causa disso, passa a ser economicamente viável”, exemplificou Dr. Fernando.

FONTE: Labnetwork

Publicado por Ana Carolina Dada

Autora do Blog Biomedicina Online e estudante de Biomedicina da FURB-SC .
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